O material do poeta lírico é a sua própria vida. É dessa frase que nasce Amorosamente, reunião de poemas em que Tião Pinheiro faz da experiência vivida a matéria bruta do verso.
Na Grécia do século V a.C., usar a própria subjetividade como prática literária era novidade. Hoje não é mais. A subjetividade virou lugar comum desde o Romantismo, se não antes: falamos o que sentimos, sonhamos porque sonhamos, choramos porque choramos. O risco é que, de tanto repetir, a palavra sentida perca peso e vire ruído.
Amorosamente devolve esse peso. Ao longo de 288 páginas, os poemas afirmam algo simples e difícil: a nossa voz é nossa e pronto. Não somos muito diferentes dos nossos ancestrais em sentir dor, angústia e medo, nem em acreditar que a expressão literária seja capaz de transmitir tudo o que somos ou, pelo menos, certos momentos que vivemos. É um livro para quem lê poesia devagar, um poema por vez, e para quem procura no verso um espelho do próprio afeto.
Tião Pinheiro chega a este volume com cinco livros de poesia publicados e 44 anos de jornalismo. É também compositor, com três discos lançados e canções gravadas por nomes como Oswaldo Montenegro, Paulinho Pedra Azul, Maria Eugênia e o franco-argentino Jean Pierre Noher. Repórter da área cultural em Goiás por quase 20 anos, recebeu o Prêmio Tiokô de Comunicação, da União Brasileira de Escritores-Goiás, e o Prêmio Abraciclo de Jornalismo. Essa dupla escuta, a de quem apura o mundo e a de quem compõe canção, atravessa cada página.
Se você procura poesia brasileira contemporânea escrita com ouvido de compositor e olho de repórter, Amorosamente é o próximo livro da sua estante. Leve para casa, marque os versos, volte a eles.