Ele atravessou um rio para ser livre. Depois precisou de um estado inteiro para se sentir seguro.
Cansado de entregar ao patrão quase tudo o que colhia, José Antunes abandonou a fazenda sem se despedir de ninguém e abriu caminho na mata rumo ao oeste. Comeu do que caçava, dormiu no chão frio, temeu o capeta nas noites mais escuras e, depois de vários dias e noites, avistou o rio Guarapé, a divisa entre o estado de Das Minas e o território do Cerco. Do outro lado havia terra sobrando para quem quisesse. Ele mediu a passos largos o tamanho do próprio sonho e decidiu que dali nunca mais sairia.
A liberdade, porém, durou o tempo de uma descoberta. Uma pedra de diamante mudou o destino daquele lavrador e acendeu nele o que a terra sozinha não saciava: ambição, desejo de poder, disposição de fazer o que fosse preciso, até matar, para conseguir o que queria. José Antunes virou dono de garimpo, virou coronel, chegou ao poder maior do estado do Cerco. E descobriu que, a cada conquista, surgia um rebelde contra ele: primeiro o médico, depois o líder carismático que uniu os garimpeiros e ameaçou tomar seu garimpo, roubando junto seu bem mais precioso, e por fim o próprio filho, que se levantou contra o pai.
Embriões Rebeldes é um romance de lutas, paixões e poder, escrito na linguagem direta de quem conhece o falar do interior. O protagonista é um homem feito de contradições: exige para si a liberdade que nega aos outros e renega a própria origem enquanto ergue um império sobre a terra e sobre gente. Ao redor dele, o povo aprende a se juntar, e a história avança até o ponto em que toda fortuna passa a ser medida pelo que ela não foi capaz de proteger.
Primeiro livro de Isaac Pires Cabral, radialista, poeta e agente cultural goiano nascido no campo, a obra reúne em 166 páginas de leitura rápida o chão, a fala e as disputas do Brasil do interior.
Atravesse o rio com José Antunes e descubra quanto custa mandar. Leia Embriões Rebeldes.