Ao deixar o gramado do Pacaembu na noite de sua despedida do futebol, Pelé procurou um repórter para dizer suas últimas palavras como jogador. Esse repórter era Roberto Carmona.
A história do rádio esportivo brasileiro costuma ser contada pela voz dos locutores. Mas quem sempre esteve mais perto do jogo, do vestiário e do ídolo foi o repórter de campo, aquele que passou a vida atrás do gol, de microfone na mão, garimpando a informação que ninguém mais tinha. Dessa turma, poucas trajetórias chegaram a virar livro.
O Senhor do Rádio repara essa lacuna. Em 252 páginas, o jornalista e escritor Cristiano Silva reconstrói os 55 anos de carreira de Roberto Carmona, o Espanhol: do menino de infância difícil que atravessou o rio Paranapanema com a família rumo ao norte do Paraná do pós-guerra ao profissional que transmitiu 5.000 jogos de futebol, cobriu 175 etapas de Fórmula 1 e 10 Copas do Mundo, passando por oito emissoras.
O leitor acompanha a chegada a São Paulo em 1963, os anos na Rádio Record e na Jovem Pan, então Rádio Panamericana, a convivência com Osmar Santos e sua equipe, o melhor jogo que Carmona viu na vida (Brasil 3 x 0 Uruguai na inauguração do Mineirão, em 7 de setembro de 1965) e também as batalhas fora do campo: o câncer enfrentado sem largar o microfone e a perda de Regina, sua companheira, antes que a obra ficasse pronta.
Cristiano Silva é autor de 10 livros e, como o próprio biografado, começou no rádio aos 13 anos de idade. O livro traz textos de abertura de três nomes do jornalismo esportivo brasileiro: Joseval Peixoto, que dividiu o começo de carreira com Carmona, o jornalista e senador Jorge Kajuru e José Calil, que apresentou biógrafo e biografado em outubro de 2015.
Uma leitura para quem cresceu ouvindo futebol no rádio, para quem trabalha com jornalismo esportivo e para quem quer entender como se fazia reportagem ao vivo quando a única transmissão possível era a da voz. Conheça a história do homem que viu o Brasil jogar de trás do gol.