DO SILÊNCIO E DOS HOMENS QUE O CARREGAM Fragmento preservado nos arquivos interditos da Confraria dos Exilados. Não foi o aço que sustentou o Império, mas o silêncio. Os registros oficiais falam de ordem, de unidade, de um mundo mantido pela mão firme de um imperador que não morre. Falam de paz como se ela fosse dádiva, e não imposição. Mas há coisas que não se escrevem em pedra-apenas se sussurram entre aqueles que ainda ousam lembrar. Pois com as coroas e os decretos, vieram os homens que aprenderam a desaparecer. Chamaram-nos de Zurios. Instrumentos perfeitos, diziam. Lâminas vivas, obedientes, moldadas para agir sem hesitar e desaparecer sem deixar rastro. Não lhes foi concedida glória, nem nome, nem memória. Apenas propósito. Mas até o silêncio guarda ecos. E há registros-poucos, fragmentados, quase apagados-de um desses homens que não permaneceu apenas sombra. Um que viu além da ordem imposta. Um que começou a compreender o peso do que carregava. Seu nome foi omitido dos arquivos. Mas suas escolhas... não. E quando o silêncio deixa de ser obediência e se torna consciência, o que permanece não é paz. É ruptura.
Escrito às escondidas, sob a neve e sob a culpa, por Sareth Vael, o Exilado, cujo nome foi riscado dos registros de Alur-Yar.