Abordar o tema das drogas ainda é um tabu. Nossa sociedade avança em diagnósticos sofisticados, tratamentos eficientes, reabilitação efetiva em diversas áreas da saúde. A tecnologia, a complexidade dos conhecimentos produzidos alcançam melhores resultados, a cada dia, no que se refere à terapêutica para muitas doenças. Contudo, quanto ao fenômeno das drogas, ainda temos muitas lacunas.
O uso de substâncias psicoativas é conhecido por todos há muito tempo, porém, a dinâmica das drogas, seus efeitos, os motivos pelos quais as pessoas utilizam essas substâncias mudam a cada momento histórico. Hoje estão disponíveis todos os tipos de efeitos psicoativos, estimulantes, alucinógenos, depressores, ou todos eles juntos em um único extrato, em uma única dose.
Talvez este seja o maior desafio dos profissionais da saúde: não somente reconhecer os efeitos da substância, mas identificá-las no momento certo, quando ainda é possível alguma intervenção e cuidado à pessoa usuária.
Os motivos pelos quais as pessoas utilizam drogas tangencia questões sociais, econômicas, familiares, culturais e conjunturais e exigem políticas públicas e preparo dos serviços de saúde para identificar quais são as necessidades das pessoas em cada circunstância. Não basta focar na redução da oferta e demanda, mas devem ser sensíveis à realidade do usuário.
Esta publicação propõe uma perspectiva de cuidado, de atenção à saúde, de preservação da vida, diante do fenômeno das drogas. Os autores são professores e, estudantes que transitam no ensino da área da saúde. Pessoas interessadas em fazer a diferença na atenção aos dependentes químicos, nos âmbitos da prevenção, do tratamento e da reinserção social, seguindo as diretrizes do Sistema Único de Saúde do Brasil. A centralidade do cuidado está na pessoa, na sua realidade, na sua demanda, esse é o ponto de partida das ações dos profissionais de saúde.
O primeiro capítulo discorre sobre os aspectos históricos do fenômeno das drogas, abordando as primeiras substâncias utilizadas pela humanidade, bem como os rituais e as formas de uso de cada substância ao longo do tempo.
No capítulo dois, abordamos a evolução das Políticas Públicas sobre o tema no Brasil. Os efeitos socioeconômicos provocados pelas drogas e as Políticas Públicas de combate e prevenção ao uso estão no terceiro capítulo, que retrata também os elementos e setores envolvidos no contexto do uso de drogas no País.
O capítulo quatro enfoca a epidemiologia da droga desde a produção, o consumo e a comercialização, discutindo aspectos sociais, econômicos e políticos do fenômeno das drogas.
Os tipos de drogas e seus efeitos no organismo são destacados no capítulo cinco. Também são abordados os elementos relacionados à droga no que se refere a sua produção, bem como as políticas de legalidade e ilegalidade.
O capítulo seis evidencia quem é o usuário de drogas, como ele acessa a substância e como a sociedade trata as pessoas em dependência química.
O contexto da família do dependente químico é abordado no capítulo sete, considerando o adoecimento da família, seu sofrimento e as dinâmicas de convívio que são estabelecidas no ambiente familiar.
O penúltimo capítulo do livro focaliza o contexto da atenção à saúde mental e as redes de cuidado e apoio, englobando os serviços de saúde, a Rede de Atenção Psicossocial, bem como as redes afetivas do usuário.